Designer transforma voo de andorinhas em obras de arte em Santa Catarina
30/03/2026
(Foto: Reprodução) Fotógrafo transforma voo de andorinhas em “dança” no céu de SC
Nascido e criado em Chapecó (SC), o designer Matheus Schmitz, de 26 anos, ganhou destaque nas redes sociais ao transformar o fenômeno da migração em arte. Suas fotografias de andorinhas-grandes (Progne chalybea) chamam a atenção pelos múltiplos "riscos" que preenchem o céu, revelando uma perspectiva única sobre o movimento das aves.
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Matheus, que vê a fotografia como terapia, planejou a execução durante dias. O cenário escolhido foi a Catedral Santo Antônio, marco turístico de Chapecó inaugurado em 1956, além de registros próximos ao Terminal Urbano, onde as aves costumam descansar.
A obra foi nomeada como “Dançarinas”, uma alusão à fluidez e sincronia do voo migratório.
“Por mais que a andorinha seja uma espécie pequena, quando voam todas juntas, dão a sensação de um só ser dançando no céu”, relata o designer.
Foto da "dança" das andorinhas em Chapecó
Matheus Schmitz
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Como os registros foram feitos?
Inspirado pelo fotógrafo espanhol Xavier Bou, Matheus utilizou uma técnica que exige paciência e precisão. Durante cinco dias, ele manteve a câmera estática na mesma posição, capturando cerca de 100 fotos consecutivas em intervalos de cinco segundos.
No período de pós-produção, ele utilizou o chamado “empilhamento”. A técnica consiste na combinação digital de múltiplas fotos da mesma cena para criar uma única imagem final. Dessa forma, ele conseguiu “somar” os movimentos de todas as aves, transformando a sequência temporal em uma obra estática e impactante.
Para o jovem, o fenômeno, que ocorre entre março e abril em Chapecó, traz um sentimento de pertencimento.
“Me faz sentir pequeno perto da grandeza da natureza e me traz muita paz. Ver algo assim me faz sentir mais presente no momento”, afirma.
Foto da "dança" das andorinhas em Chapecó
Matheus Schmitz
Conexão e Conscientização
A paixão pela natureza vem da infância, influenciada pelos pais. Hoje, Matheus busca usar a estética para levar uma mensagem de preservação. “Além de espalhar beleza, quero levar conscientização. Temos apenas uma chance nesta Terra e não podemos deixar de apreciá-la e protegê-la”, completa.
O fotógrafo comenta sobre o sentimento que passa a atividade para ele:
"Essa imersão e conexão com a natureza me encantam, e o resultado final na fotografia é a consequência desse amor e pertencimento [...]. Temos apenas uma chance nessa terra e não podemos deixar de apreciá-la e protegê-la", completa.
Sobre a espécie
Andorinha-Grande (Progne chalybea)
tonyshort / iNaturalist
A identificação das aves contou com a colaboração da ornitóloga Eliara Solange Müller, da Unochapecó. Já a pesquisadora Karlla Vanessa de Camargo Barbosa explicou os hábitos migratórios da espécie:
“As andorinhas-grandes se reúnem nesta região após a reprodução e seguem rumo ao norte do país. Elas formam grandes grupos para viajar a fim de se protegerem de predadores e encontrar pontos de parada em conjunto”, afirma Karlla.
Ficha técnica da andorinha-grande:
Tamanho e peso: mede de 16 a 22 cm; pesa de 33 a 55 g.
Plumagem: coloração escura com brilho azul-metálico; peito e barriga claros.
Hábitos: vive em áreas urbanas e rurais; forma bandos numerosos.
Alimentação: insetos capturados em voo ou no solo.
Migração: comum no Sul do Brasil entre março e abril.
Veja o trabalho do artista também no Instagram.
*Sob supervisão de Rodrigo Peronti.
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